Projetos de Bruno Pessuti

Projeto Quilômetro Rodado - Bruno Pessuti

Projeto Quilômetro Rodado

04 de Janeiro de 2017
O custo do sistema é definido por quilômetro rodado, entretanto a remuneração das empresas é feita com base na quantidade de passageiros que pagam pela utilização do sistema.

A quantidade de passageiros transportados não interfere no custo do sistema, pois a variação do custo de um ônibus lotado é pequena em comparação ao custo do ônibus rodando vazio, além disso, o ônibus roda com ociosidade cerca de 80% das horas operacionais.

Forçar o usuário a pagar uma passagem toda vez que ele usa o ônibus é uma maneira antiquada e inadequada para os dias atuais, pois quanto mais o usuário usar o transporte coletivo, mais ele irá pagar.

Quanto mais vezes ele necessitar usar o transporte mais ele se aproxima em custo a outros modais como moto e carro, sendo inevitável a substituição devido a fatores como rapidez no deslocamento, conforto e  também, infelizmente, segurança.

Na cidade de Curitiba é notório que a população de pessoas que usam o ônibus, em sua grande maioria, é composta por pessoas de menor renda, que moram longe dos seus trabalhos e apesar de existirem diversos terminais de integração, ocorre que muitas pessoas precisam pagar 2 passagens para chegar ao destino, ou caminhar por longas distâncias para não ter que pagar 2 passagens por falta de integração ou são "forçadas" a utilizar os terminais de integração, aumentado muito o tempo de deslocamento.

É preciso também lembrar das pessoas que fazem percursos curtos dentro da região central da cidade, local onde não existem terminais de integração entre sistemas de transporte como os Convencionais, Circular Centro e Expresso.

Se a remuneração das empresas for feita por quilômetro rodado, na mesma forma que é estabelecido o custo do sistema, facilita-se a criação da tarifa temporal que permite ao usuário trocar de ônibus sem precisar pagar outra passagem.

Essa tarifa temporal já existe em algumas linhas da Cidade de Curitiba. Uma das principais linhas que possui essa vantagem é a Linha Interbairros I. O passageiro que utiliza o cartão transporte pode realizar a integração com outras linhas dentro do prazo de 2 horas sem a necessidade de fazer outro pagamento.

Essa vantagem deveria ser estendida a toda a frota da cidade, pois evitaria que os passageiros fossem obrigados a passar por dentro de terminais para fazer a integração sem pagar outra passagem.

Além disso, poderia ser criada uma tarifa temporal diária, semanal ou mensal, incentivando as pessoas a utilizar o transporte coletivo com o bilhete único.

Em outros projetos de Lei apresentados sobre o bilhete único, houve a justificativa que iria aumentar os custos do transporte em até 13%.

Nesse sentido sempre houve contestação, pois o custo é definido por "quilômetros rodado", entretanto a URBS repassa às empresas por passageiro transportado. Isso é uma incoerência muito grande, pois se não houver passageiros transportados, por razões como um surto de gripe, a empresa continuará prestando o serviço, mas não receberá o suficiente para cobrir seus custos devido a queda na quantidade de passageiros pagantes.

Da mesma forma, o sistema atual de bilhetagem não possui qualquer tipo de auditoria, e já foi duramente criticado e questionado durante a CPI do Transporte Coletivo.

Como o que remunera as empresas é a quantidade de passageiros transportados, e sabendo que a fiscalização da URBS pode apresentar falhas, também é possível assumir hipoteticamente que as empresas podem retirar alguns veículos de circulação para reduzir seus custos e aumentar seus lucros, pois a quantidade de passageiros seria supostamente invariável.

Se a medida sugerida através desse projeto de lei for acatada, a quantidade de passageiros transportados será responsabilidade apenas da URBS, empresa para qual a Prefeitura delegou o serviço. As empresas passariam a receber os recursos baseados no tamanho da rota que a frota de 1400 ônibus percorre, que é mais facilmente gerenciada do que o sistema eletrônico, não auditado, que controla a circulação de 2 milhões de passageiros por dia.

Na ocasião da apresentação do Projeto de Lei na Câmara Municipal em 2008, houve emenda aprovada para que a remuneração fosse por km rodado, entretanto o caput do art.. 27 foi vetado na época. Hoje verifica-se que tal prática prejudica o sistema e tem feito milhares de passageiros migrar para outros modais.

Por fim, o projeto em nada muda a forma como o sistema é gerenciado, apenas substitui-se a forma de remuneração das empresas que tem seu custo em km rodado para receber em km rodado e não mais em passageiro transportado.

Acompanhe a tramitação do projeto Quilômetro Rodado