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Relator da CPI do Transporte Coletivo, Bruno Pessuti questiona contrato de ônibus híbridos  - Bruno Pessuti

Relator da CPI do Transporte Coletivo, Bruno Pessuti questiona contrato de ônibus híbridos

06 de Agosto de 2013
Um dos pontos que o vereador Bruno Pessuti (PSC), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo de Curitiba, vem questionando à Urbs é a forma como o ônibus híbridos é apresentado na planilha da tarifa técnica.
“Para muitos críticos, o ônibus híbrido é um dos vilões da tarifa. Da forma como ele foi inserido no sistema de Curitiba, seu custo fica mais caro se comparado com ônibus similares, mas isso acontece pela forma como foi elaborado o contrato para termos estes ônibus rodando em Curitiba”, diz Bruno. Desde setembro do ano passado, 30 hibribus – como são chamados os ônibus movidos a eletricidade e biodiesel – circulam na cidade
A planilha da tarifa é uma projeção dos custos dos itens comprados pelos empresários para operar no sistema de transporte coletivo, sendo que os gastos totais (mais de R$ 907 milhões) são divididos pelo número de passageiros (302,4 milhões ao ano). Isso resulta em uma tarifa técnica de R$ 2,9994, que é paga, pela Urbs, aos empresários.
Com a contratação do hibribus, dois custos adicionais foram incluídos à planilha. “O contrato prevê, além da amortização do passivo gerado pela substituição dos ônibus, uma taxa de risco operacional por se tratar de uma nova tecnologia”, explica o vereador. Juntos, estes dois itens equivalem a custos de quase R$ 135 mil ao mês ou mais de R$ 1,6 milhão ao ano.
De acordo com o relatório final da Comissão de Análise da Tarifa, os ônibus desativados estão em plena vida útil. “Ou seja: se não estão, poderiam estar operando em outras linhas, evitando este passivo”, observa o vereador. O mesmo documento afirma que acontece uma dupla amortização: tanto pelo passivo gerado pela substituição dos ônibus como pela aquisição dos novos veículos (cujo investimento divulgado foi de mais de R$ 18 milhões).
Com relação à taxa de risco, o vereador alega que não há justificativa para esta cobrança - pois a tecnologia utilizada nos ônibus híbridos já está consolidada por seu uso em larga escala, há vários anos, em outros países. “Portanto, o argumento de que esta tecnologia poderia trazer riscos não é válida”, assegura Bruno, que é engenheiro mecânico.

CONTRAPARTIDA
A economia de combustível e o ganho ambiental não foram contabilizados na planilha, segundo Bruno Pessuti. De acordo com dados divulgados pela Volvo, o sistema híbrido proporciona uma redução no consumo de combustível de até 35%. Já a diminuição das emissões de poluentes pode chegar a 90% na comparação com motores a diesel convencionais.
O vereador destaca que, de acordo com estas informações, cada hibribus deixa de emitir cerca de 30 toneladas de gases poluentes ao ano - o que representa quase 1 milhão de toneladas se somados os 30 ônibus que estão em operação.
“Em curto prazo isso pode não significar muito, mas para a Curitiba que queremos para o futuro simboliza uma mudança de paradigma, do veículo de transporte coletivo movido a combustível fóssil por um veículo movido a combustível limpo, e representar economia no tratamento de saúde da população”, concluiu o relator.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 3,3 milhões de pessoas morrem ao ano em decorrência da poluição do ar nas ruas.
Quando questionado na última reunião da CPI sobre o contrato relacionado aos ônibus híbridos, o diretor de Transportes da Urbs, Rodrigo Grevetti, disse que, por se tratar de um contrato firmado pela gestão anterior, desconhecia os critérios adotados em sua elaboração.