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Contradição de informações apresentadas na CPI exigem investigação aprofundada, afirma Bruno Pessuti - Bruno Pessuti

Contradição de informações apresentadas na CPI exigem investigação aprofundada, afirma Bruno Pessuti

02 de Agosto de 2013
Contraditórias. Assim o vereador Bruno Pessuti (PSC), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo de Curitiba, classificou as informações sobre bilhetagem eletrônica repassadas pelo diretor de Transporte da Urbs, Rodrigo Grevetti, na reunião da Comissão realizada na quinta-feira (01).

“Se confrontadas com as informações fornecidas pelo Setransp, o que foi relatado ontem pelo diretor de Transportes da Urbs, sob juramento, apresenta diversas contradições. Precisamos investigar a fundo para tornar o sistema de transporte coletivo mais transparente e eficiente, o que hoje ele não é”, afirmou o relator.

Bruno Pessuti ainda defende a necessidade de realizar uma licitação para contratação do serviço de bilhetagem eletrônica, cujo contrato entre Urbs e Instituto Curitiba de Informática (ICI) vence em agosto. A cópia do contrato foi entregue à CPI pelo diretor durante a reunião. Cabe destacar que o ICI, por sua vez, subcontratou, a empresa Dataprom para efetuar a manutenção do sistema.

COMPOSIÇÃO DA TARIFA TÉCNICA

A reunião começou com uma apresentação do diretor de Transporte detalhando a composição da tarifa técnica. Segundo ele, o valor da tarifa técnica é resultado da confluência de três variáveis: quilometragem, passageiros pagantes e custos.

O primeiro item depende da aferição do itinerário do ônibus e do número de viagens, com percentual fixo (6% do itinerário) para cobrir o deslocamento dos veículos na saída e no retorno à garagem – a chamada quilometragem ociosa.

Grevetti destacou que até 2010 a quilometragem ociosa era calculada de maneira diferente, por trajeto. Segundo ele, com relação à sistemática anterior, o fato de a quilometragem ser fixada em 6% representa um ganho para o Poder Público e para o usuário. Já segundo as empresas, a quilometragem ociosa hoje é de 7,2% de toda a quilometragem percorrida no sistema.

O cálculo da tarifa técnica é definido pela relação entre o custo por quilômetro rodado dividido pelo índice chamado de IPK - Índice Passageiro Quilômetro. Para o cálculo desse índice o número de passageiros pagantes equivalentes é dividido pela quilometragem percorrida.

Na opinião do vereador, se a quilometragem ociosa fosse considerada como um custo dependente do sistema, assim como o salário dos motoristas e cobradores, isso resultaria em um índice IPK maior - logo, poderia resultar na redução da tarifa. Atualmente, o IPK é de 2,01. Se a quilometragem ociosa fosse retirada do cálculo, o IPK seria de 2,13, ou seja, 6% maior.
“Claro que a quilometragem ociosa como custo iria impactar no aumento do custo do quilometro rodado, porém cálculos preliminares indicam que aumento do custo seria inferior aos 6%, logo a tarifa técnica poderia ser um pouco menor”, comentou Bruno Pessuti.

Quanto à segunda variável, o diretor de Transporte da Urbs afirmou que a média considera os pagantes e a equivalência das passagens isentas ou com desconto. “Os passageiros pagantes têm diminuído, mas o número de passageiros transportados aumentou devido às isenções e à integração do sistema”, ressaltou.
Já com relação aos custos, o representante da Urbs detalhou gastos com combustível, entre outros itens, que podem chegar a R$ 12 milhões por mês e representam 16% da tarifa técnica. Motoristas, cobradores e outros funcionários do sistema – como vigias – equivalem a outros 23% do valor da tarifa.

Bruno Pessuti questiona também a necessidade de vinculação do item ‘lubrificantes’ a 4% do gasto com combustível. Segundo o vereador, os ônibus movidos a biodiesel tem um consumo de lubrificantes 100% maior do que os movidos apenas a diesel, porém no cálculo o repasse às empresas é semelhante. “Ou as empresas estão ganhando com os ônibus a diesel, ou perdendo com os ônibus a biodiesel. Isso precisa ser explicado para a população”, argumentou o vereador.

Outro ponto que chamou a atenção é a vinculação do item peças e manutenção em 8% do valor da nota fiscal, descontado os gastos com a rodagem. “Será que esses ônibus, com uma vida média que não chega a cinco anos, estariam gastando tanto em manutenção e peças?”, questionou o relator.